domingo, outubro 09, 2016

Blogagem Coletiva: O que pensamos sobre faltar à escola para viajar...

Blogagem Coletiva: O que pensamos sobre faltar à escola para viajar...


Adorei poder participar dessa Blogagem Coletiva proposta pelo grupo de blogueiros de viagem em família para poder dar nosso depoimento referente a esse tema bem polêmico nas escolas... e polêmico aqui em casa desde que nossos filhos nasceram. 

Sou filha de professora até hoje, pois minha super mãe, no auge de sua experiência aos 66 anos, ainda leciona em uma escola americana, alfabetizando pequenos estrangeiros em Português. Morro de orgulho dela. Sua trajetória profissional inclui as melhores escola da zona sul de São Paulo, onde alunos de classe média alta viajam muito, inclusive no período letivo.


Eu cresci ouvindo minha mãe "condenar" de certa forma os pais que marcam viagens longas em períodos letivos, viagens a lazer que desestruturam todo o andamento escolar da criança e também da classe. Por isso nunca cogitei em fazer uma viagem longa com meus filhos em período escolar, nem quando eram pequeninos, pois ao contrário do que os pais pensam, é onde mais as crianças saem prejudicadas. Até hoje, aqui em casa só faltam às aulas se a febre passar dos 38º e olhe lá. Faltar na escola por faltar? JAMAIS! A escola aqui é como o escritório da mamãe ou o do papai, uma falta prejudica demais a nossa vida... e a dos outros!

E só fui entender o motivo da falta do aluno prejudicar também aos outros, quando entendi a profissão da minha mãe.

Quando a criança falta à escola, além de perder o conteúdo dado em aula, perde uma sequência de aprendizado que é pausada por momentos de lazer, e essas crianças quando retornam à rotina chegam em outro "astral", demoram para "engajar" com a turma novamente, assim como nos primeiros dias de aula do ano... Muitos custam à "voltar à realidade".

Quando o aluno falta por muito tempo para viajar, é comum os pais acharem que a escola tem obrigação de repor esse conteúdo com a criança no seu retorno, mas não é assim que funciona. A escola e a professora não têm qualquer obrigação em relação à isso, e a maioria das escolas não se responsabiliza por esse déficit que o aluno pode sofrer com o aprendizado. As professoras até enviam o conteúdo que será dado, páginas e exercícios que serão abordados, mas é de total responsabilidade dos pais passar esse conteúdo aos seus filhos nos casos de ausência por motivo de viagem. E é muito comum, salvo aos alunos exemplares com facilidade de aprendizado acima da média, que as crianças que viajaram tenham dificuldades no retorno às aulas, outro ponto que normalmente é justificado pelos pais de que o seu filho aprendeu muito mais viajando...  É claro que qualquer viagem é um gigantesco aprendizado cultural, mas que pode ser feito em outro momento, pois não vai substituir o conteúdo daquele momento na escola! E nesse ponto é onde muitos pais pecam, pois muitos não estudam com seus filhos durante as viagens, e alguns, pasmem, "largam" seus filhos no retorno, e a escola que se vire! Sim, isso acontece muito.... infelizmente!

Os professores também percebem certo desconforto nos demais alunos que não viajaram e continuaram ali no dia a dia realizando as atividades escolares... "por que ele foi passear e eu não?" esse é o sentimento de algumas crianças com a chegada do coleguinha animado, que volta contando sobre Disney ou outro destino dos sonhos... Nada justo né? 

Os pais também devem se preocupar com a frequência mínima exigida por lei nas escolas, pois os alunos podem reprovar de ano caso o número de faltas seja superior à 35% do período letivo, é lei.
"O art. 47, § 3º, da Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, dispõe que é obrigatória a freqüência de alunos e professores, salvo nos programas de educação a distância, que se regem por outras disposições. Não existe legalmente abono de faltas. É admitida, para a aprovação, a freqüência mínima de 75% da freqüência total às aulas e demais atividades escolares, em conformidade com o disposto na Resolução nº 4, de 16/9/86, do extinto Conselho Federal de Educação." 
E por mais incrível que pareça, as crianças menores são as que mais saem prejudicadas por viajarem no período escolar. Os pais normalmente pensam que por serem pequenos e não terem tanto conteúdo, facilmente recuperam os dias perdidos após a viagem... mas estão completamente ENGANADOS...  As crianças maiores obviamente tem muito mais conteúdo, matéria, e perder uma semana de aula é uma verdadeira corrida contra o tempo. Mas por serem mais maduros, com ajuda de pais e colegas até conseguem colocar essa matéria em dia. Já os pequenos sofrem demais, e não só pelo conteúdo em si, mas pela quebra da rotina... Crianças passam dias grudados aos pais em passeios e tendo total atenção durante uma viagem, e o retorno à escola é a quebra desse vínculo. Minha mãe já relatou inúmeros casos de crianças tristes, chorosas e doentes após o retorno das férias. Soma-se a isso o desconhecimento do assunto que pode estar sendo abordado em sala de aula, e pronto: mais um problema para ser administrado pela professora...

Outro fato complicado: educação se dá com exemplo, certo? Quando os pais "ensinam" aos filhos que é normal faltar à escola para viajar e/ou passear, não estarão ensinando que faltar ao trabalho para o lazer também não seria normal?  A escola deve ser vista pela criança como um compromisso tão sério quanto o trabalho/emprego de um adulto, é algo que custa, que depende de terceiros para o seu sucesso pessoal e evolução. A escola é o único compromisso que a criança tem... ela tem que levar MUITO a sério.

Enfim, sei que muitos pais defendem que as melhores viagens são as feitas em baixa temporada, por encontrarem preços reduzidos, passeios tranquilos, parques sem filas... Mas tudo depende dos valores e princípios de cada família, das prioridades, do perfil de cada um. Conheço famílias que só podem viajar no meio do primeiro semestre por causa da profissão do pai, então já não é questão de princípios, é necessidade mesmo. Basta saber contornar os pontos negativos dessas faltas da melhor forma possível. 

Aqui não somos tão radicais, confesso que já tivemos que "enforcar" dois dias de aula uma vez por causa de uma viagem inadiável... Mas um ou dois dias não vão prejudicar ninguém, e uma vez por ano é mais que justificável para as crianças.

Realmente evitamos as viagens fora de época, preferimos espaçar mais as viagens, selecionar mais, e quando viajamos, é pra valer! Sem preocupações com escola, e crianças com a sensação de dever cumprido sendo recompensadas com férias super divertidas!






  1. Dani, interessante olhar teu ponto de vista e eu, apesar de ser do grupo de mães que viajam durante o período letivo, concordo com alguns aspectos que você levantou.

    Meu marido não consegue tirar férias nos meses de Julho, Dezembro e Janeiro, ou seja, temos que nos virar nos 30 para viajar em outra época do ano. Citei no meu post o caso da minha filha mais velha que depois de 22 dias vivendo o mundo mágico da Disney voltou e deu conta do recado, mas nunca falei do meu caçula e como você cita os menores no teu post achei interessante falar dele aqui.

    O meu filho menor ano passado, tinha pouco mais de 2 anos e já estudava. Quando voltamos de viagem eu pensei que ele ñ fosse querer ir pra aula (confesso que pensei nisso só depois!rs), mas me enganei. Chegamos de viagem em uma quarta-feira, no dia seguinte minha filha já foi pra aula e o menorzinho quando viu a irmã toda pronta, de uniforme, mochila tb quis ir. E não deu o menor problema na readaptação após tantos dias ausentes, foi mais tranquilo do que eu imaginava.

    Bom ler uma opinião 100% diferente da nossa, serve como reflexão!

    Bjo!

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    1. Oi Trícia... pois é, eu sabia que seria polêmica. Mas é que o contato que tive com esse assunto foi em outra visão, o da educadora. Por isso acabei sendo radical cm isso. Mas cada caso é um caso, e graças a Deus nem todos se prejudicam, assim como seus filhos, que são uma caso a parte né? lindos! Aproveita!!! beijão

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  2. Dani, é a mais pura verdade, nua e crua. Acho que ninguém foi tão enfático quanto tu na blogagem, mas concordo com tudo! Bjokas

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    1. Pois é Clau... eu disse que seria polêmica kkkkk ... Filha de professora das antigas dá nisso!

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  3. oi Daniela, amei seu artigo, especialmente pela análise do tema do ponto de vista de uma professora. É realmente muito raro uma criança conseguir recuperar plenamente o conteúdo perdido de 2-3 semanas de faltas.
    Também achei bacana vc mencionar a questão dos alunos do Ensino Infantil e o problema da readaptação na rotina escolar e distância dos pais. Nós experimentamos uma situação assim com nosso filho menor.
    Um bjo e obrigada pela sua visita lá no Diário de Viagem. =)

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    1. Obrigada Adriana!!! Adorei sua visitinha aqui também! Bjo

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  4. Dani...
    Quanta radicalidade kkkkkk
    Olha, concordo e não concordo.

    Enfatizei muito a questão da responsabilidade e que devemos ensinar as crianças que a escola é o compromisso delas, assim como nós pais, temos nossos trabalhos. Mas não vejo assim um problema tão grande em faltar alguns diazinhos. Até porque, como disse a professora do Dodô tem muita criança que falta por bobagem, e acumula muitas faltas durante o ano letivo. Pelo menos, aqui, o guri teve algumas faltas, mas sempre levou aprendizado para compartilhar com os colegas.
    Ma sé preciso ter moderação.
    Beijão

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    1. Oi Fran... pois é, filha de professora né... não escapei dessa visão... Mas amei ler os demais relatos, muitos mostram o outro lado que eu não conheço, então aprendi demais também e mudei um pouco minha visão... Faz parte! Adorei essa BC. Bjo grande

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  5. Gostei de ouvir sua posição sobre assunto! Já sabia que este assunto seria polêmico, mas é tão legal essa troca de dicas e maneiras de encarar a situação! Bjs Angelica @descansanavolta

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    1. Beeeem polêmico né Angelica? Mas li tantos relatos bacanas que mudei um pouco meu ponto de vista... tudo dá para ser bem feito se com bom senso! bjs

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  6. Oi Daniela! Adorei seu texto. Sua abordagem foi super aprofundada e eu concordo bastante. Acho que, dependendo da situação, 2 ou 3 dias não serão problema. Mas, depois da experiência que tivemos no ano passado, de 2 semanas perdidas (conforme escrevi no meu post, tivemos uma viagem de trabalho e levamos o Dudu conosco), não pretendo repetir. Ainda que ele tenha se recuperado muitíssimo bem. Escola é compromisso! Um beijo!

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    1. Oi Rê, que bom... obrigada pela visitinha!!! Bjs

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  7. Dani, até este momento primeiro post que leio com este ponto de vista, talvez teremos outros mas não li tudo ainda.Apesar de eu ter uma concepção totalmente oposta e inclusive no meu caso já posso dizer que valeu a pena cada dia de aula perdido pois já estamos com a filha com 14 anos e podemos agora nitidamente ver os retornos 100% positivos das nossas decisões já tomadas, concordo plenamemte com a preocupação dos professores com esses alunos, na escola da ISah existe todo um protocolo para isso devido a enorme demanda de ausência por viagens, eles possuem todo um cronograma de retorno, recuperação e avaliações que ajudam muito tanto alunos quanto professores, por isso acho muito importante analisar o perfil da escola. Concordo também que cada criança reage de forma diferente e cabe aos pais conseguirem ver isso para que não prejudique o filho. Parabéns pelo post, gostei muito.

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    1. Olá Regeane, pois é, fui a mais polêmica kkkk... mas cada caso é um caso, e nada como poder ter uma filha de 14 anos que curtiu muitas e muitas viagens sem ter sofrido ou se prejudicado com as faltas... essa experiência de vida não tem preço né? Obrigada pela visitinha... bjs

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  8. Dani, concordo que a questão não é só conteúdo mas a sequência do conhecimento construído. Por outro lado, acho que as viagens "ensinam" muito também e basta ter alguns ajustes para dar tudo certo. bjs

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  9. Daniela, gostei de ver seu ponto de vista. Concordo com você no que diz respeito a viagens longas. Ainda não fiz nenhuma com meu filho onde ele precisasse faltar mais de uma semana de aula. Mas acho que as viagens curtas também trazem conhecimento. Normalmente procuro fazer programas que incluam diversão e aprendizado.

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  10. Dani, não consigo ser tão radical assim, acho que faltar alguns dias de aula, não vai torná-lo irresponsável com seu trabalho, de forma alguma. Isso vai depender de inúmeros outros fatores. Temos alguns exemplos, inclusive no Brasil, como o da Família Schurmann, que decidiu tirar os filhos da escola para viajar, e todos se tornaram excelentes profissionais. Também discordo que as crianças pequenas perdem mais. O que precisam é de muito contato com os pais e irmãos, coisas que viajando elas ganham, e muito!
    Abraços.
    Patricia Tayão.
    www.viajarhei.com
    @viajarhei

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    1. Oi Pati... pois é, esse "radicalismo" se deu devido a minha história de vida... e também talvez por não ter tido oportunidades de viajar mais quando meus filhos ainda eram pequeninos, nossas viagens sempre foram curtinhas, em feriados e no máximo faltaram dois dias nas aulas. Tudo é questão de oportunidade, certo? Hoje mesmo tendo mais oportunidades não podemos "testar" nada, pois meu filho está indo para o 9º ano e o garoto não é tão cdf assim rsrsrsrs.... Concordo 100% com vc. Beijo e obrigada pela visita!

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  11. Concordo plenamente com você! As crianças quanto menores, mais sofre no retorno. Na escola em que trabalho, de criança até 11 anos, os de 6 ou 7 sofrem muito na volta das férias, mesmo sem viajar! Porque se acostumaram a ficar com os pais em casa...

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  12. Pois você vai e achar uma 'educadora' terrível kkkk. Não concordo em vários pontos, como Patricia comentou, não acho que levarmos os filhos para uma viagem durante as aulas estamos ensinando-os que os poderão faltar ao trabalho quando estiverem adultos por exemplo, e se eu posso levar meus filhos para uma viagem nas férias e também fora delas, vou privá-los porque na volta pode ter amiguinhos que não reagem bem a isso? Na boa, não concordo, cada família tem sua estrutura, uns podem mais e outros menos, cabe aos pais ensinarem os filhos a lidar com isso. Aqui em casa nunca tivemos esse tipo de problema, se um amigo viaja pra China nas férias e nós vamos para o interior do estado, os meninos encaram numa boa, aproveitam a viagem deles e na volta chegam em casa comentado sobre coisas interessantes que o amigo viu. E durante as viagens, que já foi tema inclusive de outra blogagem, as crianças aprendem muito. Pra nós, o que importa é a interação entra a família e a escola.

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    1. Cynara... não generalizei tanto assim, mas como experiencia de filha de professora já tive conhecimento de fatos onde realmente os pais não dão tanta importância á escola, priorizam sempre as viagens... mas são exceções... E sobre os amiguinhos... a percepção nunca será nossa, dos pais, mas dos professores... Certamente as famílias estruturadas lidam com isso numa boa, pois existe a troca cultural... mas nem todos vivem na nossa realidade né? mas isso jamais seria motivo de não viajarmos, foi só mais um argumento das consequências (negativas) que quis explorar no assunto... kkkkkkk Perfeita sua colocação!!! Beijinhos

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  13. Tenho o pensamento tão radical quanto o seu. kkk
    Estou treinando para me libertar uma pouco dessa cobrança, mas minha mãe faz as mesmas críticas que a sua (eu vi a minha mãe ali naquele parágrafo kkk).
    Faltamos 4 dias esse ano para viagem, e até agora 1 dia por doença, e mais 1 dia da apresentação do ballet. A pequena reclama bastante para colocar as atividades em dia, acabo não achando justo com ela.
    Vou continuar sacrificando o financeiro para viajar na alta temporada, mas sacrificar a pequena, jamais!

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    1. Obrigada Aline! Acho que existe o excesso de zelo também pelo outro lado, penso muito mais no "depois" também, pois sei os filhos que tenho, e não suportaria sobrecarregá-los com dias e dias de atividades perdidas na escola... Mas são coisas que não podemos generalizar né? Cada família lida com isso de uma forma. Nossas mães nos passaram essa visão, azar dos nossos bolsos $$$ kkkkkkkk Difícil orçar viagem em alta né? Já estou aqui sofrendo para tentar algo em janeiro..... bjs

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  14. Achei interessante a visão de que as crianças pequenas podem ser mais afetadas que as maiores... Não chegamos a viajar com a nossa muito pequena, e sim aos 5 anos, então foi relativamente fácil, a não ser colocar o trabalho em dia. Mas sobrevivemos! Parabéns pelo post!

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