Blogagem Coletiva: O que pensamos sobre faltar à escola para viajar…

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Adorei poder participar dessa Blogagem Coletiva proposta pelo grupo de blogueiros de viagem em família para poder dar nosso depoimento referente a esse tema bem polêmico nas escolas… e polêmico aqui em casa desde que nossos filhos nasceram. 

Sou filha de professora até hoje, pois minha super mãe, no auge de sua experiência aos 66 anos, ainda leciona em uma escola americana, alfabetizando pequenos estrangeiros em Português. Morro de orgulho dela. Sua trajetória profissional inclui as melhores escola da zona sul de São Paulo, onde alunos de classe média alta viajam muito, inclusive no período letivo.

Eu cresci ouvindo minha mãe “condenar” de certa forma os pais que marcam viagens longas em períodos letivos, viagens a lazer que desestruturam todo o andamento escolar da criança e também da classe. Por isso nunca cogitei em fazer uma viagem longa com meus filhos em período escolar, nem quando eram pequeninos, pois ao contrário do que os pais pensam, é onde mais as crianças saem prejudicadas. Até hoje, aqui em casa só faltam às aulas se a febre passar dos 38º e olhe lá. Faltar na escola por faltar? JAMAIS! A escola aqui é como o escritório da mamãe ou o do papai, uma falta prejudica demais a nossa vida… e a dos outros!
E só fui entender o motivo da falta do aluno prejudicar também aos outros, quando entendi a profissão da minha mãe.
Quando a criança falta à escola, além de perder o conteúdo dado em aula, perde uma sequência de aprendizado que é pausada por momentos de lazer, e essas crianças quando retornam à rotina chegam em outro “astral”, demoram para “engajar” com a turma novamente, assim como nos primeiros dias de aula do ano… Muitos custam à “voltar à realidade”.
Quando o aluno falta por muito tempo para viajar, é comum os pais acharem que a escola tem obrigação de repor esse conteúdo com a criança no seu retorno, mas não é assim que funciona. A escola e a professora não têm qualquer obrigação em relação à isso, e a maioria das escolas não se responsabiliza por esse déficit que o aluno pode sofrer com o aprendizado. As professoras até enviam o conteúdo que será dado, páginas e exercícios que serão abordados, mas é de total responsabilidade dos pais passar esse conteúdo aos seus filhos nos casos de ausência por motivo de viagem. E é muito comum, salvo aos alunos exemplares com facilidade de aprendizado acima da média, que as crianças que viajaram tenham dificuldades no retorno às aulas, outro ponto que normalmente é justificado pelos pais de que o seu filho aprendeu muito mais viajando…  É claro que qualquer viagem é um gigantesco aprendizado cultural, mas que pode ser feito em outro momento, pois não vai substituir o conteúdo daquele momento na escola! E nesse ponto é onde muitos pais pecam, pois muitos não estudam com seus filhos durante as viagens, e alguns, pasmem, “largam” seus filhos no retorno, e a escola que se vire! Sim, isso acontece muito…. infelizmente!

Os professores também percebem certo desconforto nos demais alunos que não viajaram e continuaram ali no dia a dia realizando as atividades escolares… “por que ele foi passear e eu não?” esse é o sentimento de algumas crianças com a chegada do coleguinha animado, que volta contando sobre Disney ou outro destino dos sonhos… Nada justo né? 
Os pais também devem se preocupar com a frequência mínima exigida por lei nas escolas, pois os alunos podem reprovar de ano caso o número de faltas seja superior à 35% do período letivo, é lei.

“O art. 47, § 3º, da Lei das Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB) nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, dispõe que é obrigatória a freqüência de
alunos e professores, salvo nos programas de educação a distância, que se regem
por outras disposições. Não existe legalmente abono de faltas. É admitida, para a aprovação, a freqüência mínima de 75% da freqüência total às
aulas e demais atividades escolares, em conformidade com o disposto na
Resolução nº 4, de 16/9/86, do extinto Conselho Federal de Educação.” 

E por mais incrível que pareça, as crianças menores são as que mais saem prejudicadas por viajarem no período escolar. Os pais normalmente pensam que por serem pequenos e não terem tanto conteúdo, facilmente recuperam os dias perdidos após a viagem… mas estão completamente ENGANADOS…  As crianças maiores obviamente tem muito mais conteúdo, matéria, e perder uma semana de aula é uma verdadeira corrida contra o tempo. Mas por serem mais maduros, com ajuda de pais e colegas até conseguem colocar essa matéria em dia. Já os pequenos sofrem demais, e não só pelo conteúdo em si, mas pela quebra da rotina… Crianças passam dias grudados aos pais em passeios e tendo total atenção durante uma viagem, e o retorno à escola é a quebra desse vínculo. Minha mãe já relatou inúmeros casos de crianças tristes, chorosas e doentes após o retorno das férias. Soma-se a isso o desconhecimento do assunto que pode estar sendo abordado em sala de aula, e pronto: mais um problema para ser administrado pela professora…

Outro fato complicado: educação se dá com exemplo, certo? Quando os pais “ensinam” aos filhos que é normal faltar à escola para viajar e/ou passear, não estarão ensinando que faltar ao trabalho para o lazer também não seria normal?  A escola deve ser vista pela criança como um compromisso tão sério quanto o trabalho/emprego de um adulto, é algo que custa, que depende de terceiros para o seu sucesso pessoal e evolução. A escola é o único compromisso que a criança tem… ela tem que levar MUITO a sério.

Enfim, sei que muitos pais defendem que as melhores viagens são as feitas em baixa temporada, por encontrarem preços reduzidos, passeios tranquilos, parques sem filas… Mas tudo depende dos valores e princípios de cada família, das prioridades, do perfil de cada um. Conheço famílias que só podem viajar no meio do primeiro semestre por causa da profissão do pai, então já não é questão de princípios, é necessidade mesmo. Basta saber contornar os pontos negativos dessas faltas da melhor forma possível. 
Aqui não somos tão radicais, confesso que já tivemos que “enforcar” dois dias de aula uma vez por causa de uma viagem inadiável… Mas um ou dois dias não vão prejudicar ninguém, e uma vez por ano é mais que justificável para as crianças.
Realmente evitamos as viagens fora de época, preferimos espaçar mais as viagens, selecionar mais, e quando viajamos, é pra valer! Sem preocupações com escola, e crianças com a sensação de dever cumprido sendo recompensadas com férias super divertidas!

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